A Câmara Muncipal tentou antecipar para 2025 a votação do impeachment do prefeito de Cachoeirinha, Cristian Wasem (MDB) – porém essa manobra foi derrotada por conta do rito regimental. Em resposta, a presidente da Câmara de Vereadores, Jussara Caçapava (Avante) marcou para o primeiro dia útil do ano a sessão extraordinária que irá decidir o futuro do mandato de Cristian. O julgamento será nesta sexta-feira (2), às 10h.
O prefeito é investigado em dois processos por infrações político-administrativas. Em relatório da comissão processante – que recomendou a cassação – o vereador Otoniel Gomes (MDB), relator do caso, acolheu duas das quatro acusações contra o prefeito. São elas: conduta atentatória à autonomia e ao regular funcionamento da Câmara de Vereadores; e as “pedaladas” no IPREC (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Cachoeirinha) e o risco fiscal em ano eleitoral. As pedaladas tratam de manobras fiscais em que o governo atrasa repasses para maquiar as contas públicas e cumprir metas.
O vice-prefeito, Delegado João Paulo (Progressistas), também está sob investigação. Das quatro acusações contra ele, o relator acolheu uma: contratação emergencial irregular e infrações praticadas pelo vice no exercício do cargo de prefeito.
Ao longo das 50 páginas que justificam a perda do mandato, Gomes reforçou a legalidade do processo investigatório e acusou o prefeito de “ocultar até o limite” os procedimentos investigatórios. Segundo o relator, Wasem “jamais recebeu os servidores desta Casa Legislativa, na sede da prefeitura, tampouco em sua residência”.
Caso prefeito e vice-prefeito sejam cassados, quem assume o comando da prefeitura de forma interina é Jussara, reeleita presidente do Legislativo municipal. Depois, a Justiça Eleitoral irá determinar, até 90 dias, a data de realização de eleições suplementares.
Por ironia, foi dessa maneira que o atual prefeito chegou ao Executivo da cidade, há quase quatro anos. Em abril de 2022, ele foi empossado prefeito após o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) determinar a cassação do então gestor, Miki Breier (PSB) por abuso de poder econômico e político durante o pleito de 2020. A Justiça também estabeleceu sua inelegibilidade por oito anos.
Desde então, Wassem está no cargo. Dois anos depois, em 2022, ele saiu vitorioso das eleições suplementares, que aconteceram durante o segundo turno das eleições gerais. E, em 2024, foi reeleito.
Em nota, o prefeito alega que os crimes os quais é acusado “não se comprovam nos autos”. Já Câmara Municipal lamentou as atitudes de Wasem durante o curso do processo e legitimou o processo de impeachment.
- O julgamento de impeachment está confirmado para amanhã, embora assessores ligados ao prefeito garantem que o ato será transferido para o próximo dia 6.





