O acesso à cannabis medicinal no Brasil passa por uma transformação estrutural, marcada pela consolidação de regras sanitárias, ampliação da oferta e maior previsibilidade para pacientes e profissionais de saúde. Se há poucos anos o tratamento dependia de autorizações excepcionais e longos prazos de importação, o cenário atual aponta para um modelo mais estável e integrado ao sistema de saúde. Dados do Anuário do Mercado Cannabis 2025/2026, da Kaya Mind, indicam que o país alcançou 873 mil pacientes ativos em 2025, aproximando-se da marca de 1 milhão.
Atualmente, o acesso ocorre por três principais caminhos: a regulamentação por meio da RDC 327, que permite a dispensação em farmácias com controle sanitário; a importação direta de produtos sob demanda; e o modelo associativo, responsável por criar redes de acolhimento reconhecidas internacionalmente. Decisão recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alinhada a entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), estabeleceu regras para a produção nacional de cannabis medicinal, medida que tende a reduzir custos logísticos e ampliar a rastreabilidade dos produtos.
Para Michelle Farran, fundadora da Cannabis Company, primeira farmácia exclusiva com pronta entrega de canabidiol do país, o avanço regulatório representa uma mudança significativa para os pacientes. Segundo ela, o Brasil deixou de operar sob um regime de exceção e passou a adotar um modelo estruturado, proporcionando mais segurança, redução no tempo de espera e maior previsibilidade nos tratamentos prescritos por médicos em todo o país.







