banner chico

Nilta Fialho Tafas: a professora que abriu caminho para as mulheres na política de Gravataí

IMG 0079
Screenshot

Primeira mulher a disputar uma vaga na Câmara, em 1954, e primeira a ocupar uma cadeira no Legislativo municipal, em 1958, educadora também se destacou na defesa dos professores e na produção artística

A história de Gravataí também é feita por mulheres que, em diferentes épocas, abriram caminhos para as gerações seguintes. Entre elas está Nilta Fialho Tafas, professora, artista plástica, escritora e pioneira na política municipal. Em uma época em que a presença feminina nos espaços de decisão ainda era uma exceção, ela rompeu barreiras e entrou para a história como a primeira mulher a disputar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Gravataí, em 1954, pelo Partido Libertador (PL). Quatro anos depois, em 1958, tornou-se a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo municipal, assumindo o mandato como suplente.

Sua trajetória reúne a participação na vida pública, a dedicação ao magistério, o interesse pelas artes e uma atuação familiar que marcou gerações. Décadas depois de sua passagem pela Câmara, sua história volta a receber o reconhecimento institucional, com a criação da Galeria das Vereadoras Eleitas Professora e Vereadora Nilta Fialho Tafas, iniciativa que preserva a memória de sua contribuição para a história política de Gravataí.

Uma mulher à frente de seu tempo

A primeira candidatura de Nilta, em 1954, ocorreu em um período no qual a participação feminina na política brasileira ainda enfrentava obstáculos sociais e culturais. Embora o voto feminino tivesse sido reconhecido pelo Código Eleitoral de 1932, a presença de mulheres nos cargos eletivos continuava reduzida.

Foi nesse contexto que Nilta decidiu disputar uma vaga na Câmara de Gravataí. Sua candidatura pelo Partido Libertador representou um marco na história política local, ao levar uma mulher à disputa por um espaço de representação até então ocupado por homens.

Em 1958, quatro anos depois, ela deu outro passo histórico. Como suplente do PL, assumiu uma cadeira no Legislativo e se tornou a primeira mulher a exercer o mandato de vereadora no município.

Mais do que uma conquista individual, sua chegada à Câmara passou a integrar a trajetória das mulheres que ajudaram a ampliar a participação feminina na vida pública gravataiense. Seu pioneirismo ganha ainda mais significado quando observado à luz das transformações políticas e sociais ocorridas no Brasil ao longo das décadas seguintes.

A defesa dos professores na Câmara

A atuação parlamentar de Nilta deixou registros nas atas da Câmara Municipal de Gravataí, documentos que ajudam a reconstruir parte de sua passagem pelo Legislativo em 1958.

Entre os episódios que merecem destaque está a apresentação de um projeto relacionado ao aumento de vencimentos dos professores, registrada em novembro daquele ano. A iniciativa evidencia a presença da educação entre os temas de sua atuação política e reforça a ligação entre a vereadora e a profissão que exerceu ao longo da vida.

Conforme informações reunidas sobre sua trajetória, Nilta apresentou a proposta logo na primeira semana de seu mandato. A medida demonstrava preocupação com a valorização dos profissionais responsáveis pela formação dos estudantes.

O texto integral do projeto, contudo, ainda precisa ser consultado para confirmar os detalhes da proposta, seus destinatários e o resultado da tramitação. Mesmo assim, o registro legislativo constitui uma pista importante para compreender as pautas que mobilizavam a primeira vereadora de Gravataí.

A documentação histórica também registra outras iniciativas. Em 21 de outubro de 1958, Nilta solicitou reparos nas estradas de Pituva, Açude e Lagoa Grande, levando ao Legislativo demandas relacionadas às condições de deslocamento em localidades do município. Na mesma data, manifestou reconhecimento ao trabalho das professoras municipais.

Em novembro, participou de encaminhamentos relacionados a pedidos de informações ao Executivo e de um voto de pesar apresentado com o vereador César Ferreira.

Os registros mostram uma atuação que não se restringia ao simbolismo de ser a primeira mulher na Câmara. Nilta participou das discussões sobre questões administrativas, infraestrutura e educação, levando diferentes assuntos à pauta do Legislativo.

O magistério como missão

Antes e além da política, Nilta construiu uma trajetória ligada à educação. Foi professora nas escolas Barbosa Rodrigues e Josefina, em Gravataí, instituições que fizeram parte de sua vida profissional e da memória de antigos estudantes.

Relatos reunidos durante pesquisas históricas sobre sua trajetória ajudam a dimensionar a importância desse trabalho. Maria Regina Topal recordou Nilta como professora na escola Barbosa Rodrigues. Tadeo Fonseca também guardou a lembrança de ter sido seu aluno no quarto ano primário. Mais tarde, os dois se tornaram colegas de profissão na escola Josefina.

Essas memórias revelam uma dimensão especialmente significativa de sua história: a passagem da professora pela vida de seus alunos e a permanência desses vínculos ao longo do tempo.

O magistério também ajuda a compreender sua atuação política. Ao defender o reconhecimento do trabalho das professoras e apresentar uma proposta relacionada aos vencimentos dos profissionais da educação, Nilta levou para a Câmara questões próximas de sua própria experiência.

A valorização dos professores, tema que continua presente nos debates públicos, aparece assim como um dos pontos de conexão entre sua vida profissional e sua passagem pelo Legislativo municipal.

A arte e a escrita também fizeram parte de sua trajetória

Nilta não se limitou à sala de aula e à atividade política. Ela também se dedicou às artes plásticas, especialmente à pintura de casarios e de motivos florais.

As referências a essas obras ampliam o retrato de uma mulher que cultivava diferentes formas de expressão. A pintura de casas e construções preservava, em imagens, elementos da paisagem e da arquitetura, enquanto os temas florais revelavam outro campo de interesse artístico.

Também há registros de sua atuação como colaboradora da imprensa local. Nilta escrevia para o jornal O Gravataiense, participando da circulação de ideias e do debate público por meio da palavra escrita.

A combinação entre educação, política, pintura e escrita revela uma trajetória diversificada, construída em uma época na qual mulheres encontravam dificuldades adicionais para conquistar espaço e reconhecimento em diferentes áreas da sociedade.

O resgate de sua produção artística e jornalística representa uma possibilidade de aprofundamento dessa história. A localização de pinturas, recortes de jornais, fotografias e documentos pessoais poderá ajudar a identificar os temas de seus textos e conhecer melhor as obras que produziu.

Uma família de 11 filhos e 24 netos

Na vida pessoal, Nilta foi casada com Demétrio Jorge Tafas. O casal teve 11 filhos e 24 netos, segundo os relatos publicados sobre sua trajetória.

A dimensão familiar ocupa um lugar importante na preservação de sua memória. São os registros, as fotografias e as lembranças transmitidas entre gerações que permitem recuperar aspectos da vida cotidiana que nem sempre aparecem nos documentos oficiais.

As memórias de familiares, antigos alunos e pessoas que conviveram com Nilta ajudam a compor um retrato para além dos cargos e das datas. São essas lembranças que podem revelar histórias da sala de aula, episódios de sua atuação política, a relação com a arte e os momentos que marcaram sua vida.

A reconstrução de uma biografia histórica exige justamente essa combinação: documentos que comprovem os acontecimentos e testemunhos que ajudem a compreender o significado que tiveram para as pessoas envolvidas.

O reconhecimento da Câmara de Vereadores

A importância histórica de Nilta está no centro de uma homenagem promovida pela Câmara Municipal de Gravataí. Por meio da Resolução nº 9/2026, foi instituída a Galeria das Vereadoras Eleitas Professora e Vereadora Nilta Fialho Tafas, destinada a reconhecer as mulheres que exerceram mandatos no Legislativo municipal.

A inauguração está prevista para quinta-feira, 15 de outubro de 2026, às 16h, conforme a programação divulgada pela Câmara. A cerimônia integra as atividades alusivas aos 146 anos do Legislativo gravataiense, instalado em 23 de outubro de 1880, e prevê uma homenagem à família, com a entrega de uma placa comemorativa.

A pesquisa histórica que fundamentou a iniciativa reuniu documentos oficiais, fotografias, depoimentos de familiares e antigos alunos e atas legislativas de 1958. Esse trabalho permitiu recuperar episódios da atuação de Nilta e reunir informações que ajudam a preservar sua contribuição para a cidade.

A criação da galeria representa o reconhecimento institucional de uma trajetória que atravessou diferentes espaços da vida pública. Ao homenagear Nilta e as demais vereadoras, a Câmara também registra a participação das mulheres na construção da história política de Gravataí.

A família de Nilta Fialho Tafas agradece ao historiador Amon Costa pelo trabalho de pesquisa e pelo resgate da trajetória da professora e vereadora, fundamental para preservar sua memória e seu legado na história de Gravataí. O agradecimento também é dirigido à Câmara Municipal pela homenagem e pela iniciativa de reconhecer o pioneirismo das mulheres que fizeram parte do Legislativo.

No dia da homenagem, o Blog do Chico Pereira fará a cobertura da cerimônia, acompanhando o reconhecimento dedicado à professora e vereadora e registrando os momentos que marcarão a preservação de seu legado.

Uma história que merece ser preservada

A trajetória de Nilta Fialho Tafas permite olhar para a história de Gravataí a partir de diferentes perspectivas. Sua candidatura em 1954, o exercício do mandato em 1958, a defesa dos professores, as solicitações relacionadas às estradas do município, o trabalho nas escolas, a produção artística e a colaboração com o jornal O Gravataiense compõem um conjunto de experiências que merece permanecer acessível às novas gerações.

Há, ainda, aspectos de sua biografia que podem ser aprofundados, como as datas de nascimento e falecimento, o resultado eleitoral de sua primeira candidatura, o período exato do mandato e o conteúdo integral de seus projetos e requerimentos. A consulta a registros eleitorais, atas completas, arquivos escolares e acervos familiares poderá acrescentar novos capítulos a essa história.

Resgatar essas informações não significa apenas registrar os feitos de uma personalidade do passado. Significa também compreender como a cidade se transformou, quais pessoas contribuíram para essas mudanças e de que maneira suas experiências continuam presentes na memória coletiva.

Ao se tornar a primeira mulher a disputar uma vaga na Câmara de Gravataí e, posteriormente, a primeira a ocupar uma cadeira no Legislativo municipal, Nilta Fialho Tafas passou a integrar a história da representação feminina na cidade. Sua trajetória como professora, artista plástica e escritora amplia esse legado e mostra que sua contribuição ultrapassou os limites da atividade parlamentar.

A galeria que leva seu nome será um espaço permanente de reconhecimento dessa caminhada. E a homenagem de 15 de outubro oferece uma oportunidade para que a comunidade conheça melhor uma mulher cuja história faz parte da própria história de Gravataí.



Total
0
Shares
Anterior
Gravataí recebe megacentro de distribuição do Mercado Livre que gera 720 empregos
IMG 0067

Gravataí recebe megacentro de distribuição do Mercado Livre que gera 720 empregos

Um dos maiores centros de distribuição do Mercado Livre no Rio Grande do Sul

Leia também...