Teve início nesta semana entre os bairros Anchieta e Sarandi, Zona Norte de Porto Alegre, as obras emergenciais para tratar da construção de um dique com o intuito de fechar o canal que recebe as águas do Arroio Passo das Pedras e desemboca no Rio Gravataí. Em tese, o recurso impede que a água do rio retorne para a área do Sarandi, suportando níveis de até 5,50 metros, similar ao das enchentes de 2024.
Conforme o diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, a obra não deve agravar enchentes em municípios vizinhos, como Gravataí, Alvorada, Canoas e Cachoeirinha. Perrone justificou que a alteração afeta uma área de somente 4 quilômetros quadrados, ínfima perante os 2,2 mil quilômetros quadrados de toda a bacia do Gravataí. A obra também tem aprovação do Ministério Público do RS (MPRS) e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Para lidar com a chuva, serão instalados grupos motobombas flutuantes, com capacidade de bombear 14 mil litros de água por segundo de volta ao rio. Os trabalhos de proteção contra cheias na região dos pôlderes 7 e 8, entre o Sarandi e o Anchieta, terão potencial de evitar novos alagamentos também no Aeroporto Internacional Salgado Filho.
O consórcio vencedor da licitação para execução dos trabalhos o grupo Eurosinos, formado pelas empresas Eurovia Construtora e Bombas Sinos, que apresentou o menor valor no certame, de R$ 24,2 milhões. Esta primeira etapa tem um custo total estimado de cerca de R$ 50 milhões, com financiamento do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), e de um plano de macrodrenagem maior, orçado em um montante superior a R$ 300 milhões.
A obra recebeu a alcunha de “Operação Chinesa” em razão da rapidez na elaboração e análise do projeto. Contratualmente, a intervenção está prevista para terminar em agosto, porém o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Mello (MDB), indicou que a obra deve estar pronta até o final de julho, visando os possíveis impactos do fenômeno climático El Niño.




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