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Uma camisa, um título e a memória da Máquina de Gravataí

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Algumas camisas de futebol carregam muito mais do que cores, escudo e números. Carregam histórias. A camisa preta, verde e amarela do Cerâmica Atlético Clube, com o número 18 nas costas, é uma dessas peças. Ela pertence ao acervo da coleção de camisas do jornalista Thiago Greco e é atribuída ao time campeão do Campeonato Citadino de Gravataí de 1988.

A conquista daquele ano não foi um título qualquer. O Cerâmica havia sido campeão municipal em 1987 e, em 1988, confirmou o bicampeonato. Aquela equipe ficou conhecida na memória histórica do clube como a “máquina de Gravataí”, uma das grandes formações do futebol amador da cidade.

A história daquela geração começou alguns anos antes. Em 1985, o então presidente Gilton Lessa convidou Clair Azeredo, diretor de futebol do Vila Branca, para trabalhar no Cerâmica e levar alguns dos principais jogadores daquela equipe. O resultado foi uma equipe extremamente competitiva, que conquistaria os títulos municipais de 1987 e 1988.

Um dos episódios mais curiosos envolve justamente a decisão de 1988. Segundo registros históricos do clube, Gilton Lessa teria convencido, praticamente na última hora, o jogador que acabou marcando o gol do título a entrar em campo. Uma história que ajuda a explicar por que aquela conquista permanece tão viva na memória ceramista.

A camisa, entretanto, deve ser tratada com o devido cuidado histórico. Não foi localizada uma fotografia ou súmula digitalizada que comprove que o número 18 esteve especificamente na partida decisiva. Por isso, a peça é apresentada como atribuída ao elenco campeão de 1988, com sua procedência preservada.

Fundado em 1950, o Cerâmica já tinha títulos municipais em 1955 e 1966 antes daquela geração. Décadas depois, o clube chegaria ao futebol profissional, disputaria a Copa do Brasil, conquistaria a Recopa Sul-Brasileira e chegaria à elite do Campeonato Gaúcho.

Hoje, o Cerâmica vive um novo momento. Em 2026, voltou às competições estaduais com suas categorias de base, incluindo os Gauchões Sub-15 e Sub-17.

Quase quatro décadas depois, a camisa segue contando uma história: a de um Cerâmica que foi “máquina de Gravataí”, atravessou diferentes eras e agora tenta construir, novamente através dos jovens, o próximo capítulo de sua trajetória.



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