banner chico

Levantamento aponta que mais de 65% dos médicos já sofreram agressões em Cachoeirinha

Screenshot
Screenshot

Após denúncias recebidas pelo Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul), a entidade iniciou uma série de ações para ouvir profissionais e mapear casos de violência contra médicos em Cachoeirinha. A iniciativa integra o trabalho desenvolvido pelo Observatório da Violência do Sindicato, com foco no diagnóstico do problema e na construção de soluções que garantam mais segurança aos profissionais e melhor qualidade no atendimento à população.

A ação é promovida pelo Núcleo de Atenção Primária e Medicina de Família e Comunidade e pelo Núcleo Médico Jovem do Simers, após o registro de quatro agressões contra médicos em apenas uma semana, no mês de setembro. Entre outubro e dezembro, diretores do sindicato visitaram unidades de saúde do município e aplicaram um formulário sobre segurança no ambiente de trabalho. Ao todo, 39 médicos participaram do levantamento.

Os dados revelam um cenário alarmante: mais de 67% dos médicos afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência no exercício profissional. A violência verbal foi a mais citada, seguida por ameaças. Outro dado relevante é que 57,7% dos participantes não realizaram qualquer tipo de registro formal após os episódios, como boletim de ocorrência, apontando medo, descrédito e a percepção de que a denúncia não resultaria em providências efetivas.

Os relatos indicam que os principais gatilhos para as agressões estão relacionados à recusa na emissão de atestados médicos, discordâncias quanto às condutas clínicas, não prescrição de medicamentos ou não solicitação de exames. Familiares e acompanhantes, especialmente pais ou responsáveis por crianças, aparecem como os principais autores das agressões.

A amostra também evidencia a sensação de abandono institucional. A maioria dos médicos relatou ter enfrentado as situações sozinha ou com apoio de colegas, sem acolhimento ou respaldo da gestão. Expressões como “sem apoio institucional” e “nenhum tipo de suporte” foram recorrentes nos questionários.

Além do mapeamento, o Sindicato destaca que tem atuado de forma ativa na busca por soluções. No mês passado, a entidade encaminhou ofícios à Câmara Municipal e à SMS (Secretaria Municipal de Saúde) e solicitou agendas com os gestores, com o objetivo de avançar na proteção dos profissionais e na reorganização dos fluxos de segurança nas unidades.
Em resposta ao sindicato, a Secretaria Municipal de Saúde informou que já está trabalhando com ações preventivas relacionadas à segurança nas unidades de saúde. O aumento da pressão por atestados em emergências e de casos de agressões a médicos por parte de pacientes também são apontados entre entidades estaduais. O Cremers (Conselho Regional de Medicina do RS) tem alegado que recebeu casos de pacientes que chegaram a ameaçar uma médica de morte caso não recebesse o documento.

O Simers recorda que as agressões aos médicos tem como primeira causa problemas envolvendo atestados. Entre as denúncias recebidas pela entidade, houve um caso em uma unidade de Cachoeirinha, onde 75% dos servidores sofreram algum tipo de agressão ou ameaça física e psicológica. Entre as principais sugestões apontadas pelos médicos estão a presença de guarda municipal ou vigilância 24 horas, controle de acesso às unidades, instalação de câmeras de monitoramento e botões de pânico, além de medidas organizacionais, educativas e de valorização profissional.



Total
0
Shares
Anterior
Deputado Sérgio Peres assume presidência da Assembleia Legislativa em fevereiro de 2026
Screenshot

Deputado Sérgio Peres assume presidência da Assembleia Legislativa em fevereiro de 2026

O deputado estadual Sérgio Peres (Republicanos) assume, em fevereiro de 2026, a

Leia também...